“Ide e buscai a verdade, o caminho, a vida e a luz”. (Espiritualidade amiga, FELLUZ/2004)
 
 
A vaidade

Era uma vez um Rei muito vaidoso. Esquecia seus súditos, gastando fortunas para  satisfazer caprichos pessoais. Um dia anunciou que doaria generoso  prêmio a quem trouxesse, na palma da mão, alguma coisa que representasse o seu poder. No tempo marcado, apareceram os candidatos.

O primeiro  colocando-se  diante doRei abriu a mão e - oh! - nela estava  bela  miniatura  de uma  coroa de ouro, toda cravejada de pedras preciosas.

O Rei fez um muxoxo. Outro, tomando-lhe a vez, espalmou  na destra um trono, esculpido em delicado marfim e terminado em artísticos entalhes. O Rei sorriu lisonjeado. Seguiram-se outros  candidatos  traziam imponentes corcéis; arcas de  tesouro  com  jóias miniaturizadas;  mantos  esplendorosos.

A todos, o Rei após  arregalar os olhos, determinava  que passassem para o lado. O último era um jovem. Modestas  roupas  não  escondiam  o  seu  belo porte. Adiantou-se calmamente abriu diante do Rei a sua palma. Estava limpa e... vazia! - como?! -  indignou-se o Rei, ao  ver que  nada  havia na mão do jovem -. que significa isto, afinal?!

O jovem sorriu. - Majestade -  disse,  fazendo ligeira  revêrencia e  continuando a  mostrar  a  mão  vazia-,  toda  a  autoridade  na  Terra é uma delegação do Pai celestial e todo poder será  sempre  retomado um dia. Que poderia melhor  representá-lo,  perante Deus que é o seu doador?

Nada melhor do que a palma da mão imaculada como o era no dia do nascimento. O Rei ruborizou e baixou a cabeça.

Conta-se que, a partir  daquela data, o Rei entrou em meditação e passou a  ser menos generoso  consigo próprio e  mais devotado ao povo que lhe fora confiado no Reino.

Roque Jacinto [Retirado do livro "O peixinho azul" edição FEB]

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